quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O menino.



Seu coração bate forte. O ar puro do pé-de-acerola preenche seus pulmões, seus pensamentos, lava-o de pureza e felicidade. Ele chuta a terra seca com os pés, se senta em meio aos minérios e sujeira, observa dali uma folha cair, uma pássaro voar, a chuva começar. As gotas caem com força, penetrando o solo enquanto ele sentado, estapeia o ar, observando. O vento forte leva a chuva em uma valsa desorientada, uma dança bem guiada porém desigual. O sol mostra sua presença, surgindo detrás das nuvens como o grande rei que é, o menino se levanta para lhe prestar o devido respeito. A marcha Nupcial de Richard Wagner começa a ser cantarolada na cabeça do menino, e o casamento da raposa começa.


Inquieto, ele não se aquieta nas pedras confortáveis e se levanta, se pondo a andar, observa, assiste. Põe em mãos seu enorme guarda chuva preto e olha. Mãos humanas se estendem pra fora das janelas em busca de constatação da chuva forte, a chuva que os ouvidos já registraram. Mentes na seca. Nos olhos de cada um, o sol se mostra vivo e feliz. As pessoas correm do casamento, o menino começa a imaginar a raposa desesperada por perder seus convidados.
A perfeita união entre o sol e a chuva, fogo e a água, começa a cessar aos poucos, os convidados começam a diminuir a correria.


E enquanto as flores se abrem para o fim da chuva, recebendo o presente dos céus, o menino abre um sorriso agradecendo ao pai-natureza pelo vizinho continuar ouvindo o blues que ele tanto adora.

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