domingo, 29 de novembro de 2009

Pai.

Não vejo um bolo, mas imagino balões. Não vejo sorrisos felizes no rosto de todos, mas vejo cada um sentado ao seu asento, e você na cabeceira. Você na ponta da mesa. Você me estende uma porção de salada a sorrir. Sua mulher passa atrás de ti e arruma teus cabelos desgrenhados, pretos/brancos.
Você sorri nosso sorriso e partilhamos alguns salgadinhos. Eu te estendo uma grande agenda que te presentearia, pra você guardar seus amigos. Corro até o quintal grande com dois pit bulls e brinco com eles. Você me olha do portão ao lado dela e sorri. Teus outros filhos chegam e te presenteiam, te abraçam. Tua mulher de beija com amor, como nunca vi. Eu admiro. Há uma aura de felicidade ao redor e todos estamos juntos. Não todos com sorrisos felizes nos rostos, mas juntos.


As coisas não são assim, você sabe disso. E mesmo assim, você é o melhor do mundo. Feliz aniversário atrasado.

Saudade.

Pequena. Uma palavra, pobre e sem nexo. Torna tudo isso um simples sentimento sem caráter, algo que tenha cor e que possa ser explicado. Torna essa imensidão algo, alguma coisa. Torna a extensão da dor... sensível. "Ó deus, que saudade, que saudade. Que dor, minha alma gêmea..." PORCARIA.
Esse.. Essa.. Esse tom, essa porção de sangue. Essa porção de sangue que corre pelo lado contrário da veia... A mais direta e profunda, o cálice de ouro mais maciço, o aroma mais podre, ou simplesmente a falta dele, de.. Dor.  A mais maldita falta, o ódio da auto-destruição, a sensação de desprezo pelo próprio corpo só. A não-presença que mata, a falta do alimento da alma, auto-flagelação. Buracos, crateras que reinvidicam espaço na não-pele, e brincam, se aumentam, cavam outros. Abismos. Profundos. I-mundos de dor. A alucinação do não-toque, a mais direta e perfeita colocação da falta, pain. O sussurro da voz que não está ali. Um ácido, que não corrói as beiradas, mas sim brota de dentro e destrói.

Deus, por favor, que esse dia acabe logo.

sábado, 28 de novembro de 2009

Please?

Como se imaginar espelho de algo grande, se esse algo grande não existe? Como procurar as palavras certas, genialidade nas veias, se isso é pó em meio ao sangue. Pó. Se quem pensa sou eu, como posso separar o ilegítimo mim de mim mesmo? Tem gente que consegue! Ou diz que sim, pó. Mesmo sem um rosto a se prender, mesmo sem uma voz.. E não são as palavras assim tão poderosas? E não são os beijos projetados, as promessas, os quase-abraços assim tão bons? Assim, tão.. pó. Inexistente entre o sangue, que não são feitos pra fazer sentido: Um ser, alimentando as nessecidades do outro. Tu, alimentando meu pó enquanto eu bebo de teu sangue. Não há carne, é uma conexão de espíritos. É o puro desejo, as puras palavras, o puro escrever. No caso, o puro transmitir. Expor. Amar.


Pó.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O rio corre sem pressa, como sempre. Ambos de cenho franzido, entram homem e mulher em meio a natureza, as armas a postos, o diálogo pensado. Sentam sobre as pedras, os minutos de silêncio correm. Ele pigarreia e atira.

- Está frio. 
- Minha boca está dormente. Me beija ?
- É... inverno.- Ele sorri. Se aproxima dela e lhe dá um selinho rápido, se afastando um pouco porém sentando em uma pedra mais próxima.
- Sorvete de casquinha. - Ela comenta. Olha o rio, o fluxo constante.- 
- Desculpe? - Mais cenho franzido.
- Algo bom porém surreal. Termina em cinco minutos.

- Você me assusta. - Ele ri baixo, encolhendo os ombros, lembrando.

- São como os seus beijos. - Ela levanta segurando impotente a sua arma entre as mãos firmes.
Estremece. - Meus beijos te assutam? - Um lampejo de inocência, uma pequena ferida aberta. Ele se encolhe mais, quase se abraça por dentro.
Ela sorri. - Não. São como sorvetes de casquinha. - Ela vira olhando-o firme nos olhos quase queima quando encontra os dele e vira-se rapidamente mudando de assunto. - Quer um cigarro ?
Calor. Alívio. Ferida sarada, um olhar. - Não fume. - Ele firma a voz e decreta. A observa em pé, se levanta também. A puxa pela cintura, prende seus braços ao redor dela como uma corrente.
Semblante sarcástico o encara. - Pensei que detalhes pessoais estivessem superados. - Ela sorri. Seu corpo treme com o toque das mãos dele e ela prende a respiração. 
- Apenas casais tem algo pra superar. - Ele inspira. Ele prende mais seus braços, o medo das palavras impensadas. Ele baixa o rosto e encosta a testa no ombro macio, respira o cheiro.

Ela fecha os olhos com força e se solta dele. - Amantes não-correspondidos também. Desculpe, preciso fumar agora. - Com a mão trêmula acende o cigarro com imagens dançando em sua cabeça.
Puxa de volta. Agarra o cigarro e se queima, dor física sem importância. A abraça de volta. - Só.. Por favor. - Engasga. Encosta a testa na dela, calafrios. Aqueles olhos escuros cheios de perguntas, a respiração próxima. - Por favor.
Assusta-se. Seu corpo inteiro parece queimar em segundos, fecha os olhos firmemente sem querer acordar. Pigarreia e mantém-se imóvel, os braços soltos envolvidos pelos dele parecem sem vida. - Termine logo com isso. Diz com pesar.
- Pra terminar, eu preciso começar. Não que eu vá terminar, mas eu quero começar. - Pigarreia, engasga, gagueja. Observa o rosto dela pálido. A aperta, a trás para seu calor, olha na escuridão dos seus olhos. As palavras não saem, ele fecha os olhos. -
- Começar ? - Deixa escapar um sorriso porém lembra que não são um casal. - Falei sobre o que viemos fazer aqui. - Diz em voz baixa, relutante.
- Para você rir de mim. - Ele mostra os dentes, compõe o rosto. Em seu núcleo, destroços.


Risos.



Por: Jacob Eliachar e Eduarda Briara.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O menino.



Seu coração bate forte. O ar puro do pé-de-acerola preenche seus pulmões, seus pensamentos, lava-o de pureza e felicidade. Ele chuta a terra seca com os pés, se senta em meio aos minérios e sujeira, observa dali uma folha cair, uma pássaro voar, a chuva começar. As gotas caem com força, penetrando o solo enquanto ele sentado, estapeia o ar, observando. O vento forte leva a chuva em uma valsa desorientada, uma dança bem guiada porém desigual. O sol mostra sua presença, surgindo detrás das nuvens como o grande rei que é, o menino se levanta para lhe prestar o devido respeito. A marcha Nupcial de Richard Wagner começa a ser cantarolada na cabeça do menino, e o casamento da raposa começa.


Inquieto, ele não se aquieta nas pedras confortáveis e se levanta, se pondo a andar, observa, assiste. Põe em mãos seu enorme guarda chuva preto e olha. Mãos humanas se estendem pra fora das janelas em busca de constatação da chuva forte, a chuva que os ouvidos já registraram. Mentes na seca. Nos olhos de cada um, o sol se mostra vivo e feliz. As pessoas correm do casamento, o menino começa a imaginar a raposa desesperada por perder seus convidados.
A perfeita união entre o sol e a chuva, fogo e a água, começa a cessar aos poucos, os convidados começam a diminuir a correria.


E enquanto as flores se abrem para o fim da chuva, recebendo o presente dos céus, o menino abre um sorriso agradecendo ao pai-natureza pelo vizinho continuar ouvindo o blues que ele tanto adora.

domingo, 22 de novembro de 2009

Três milhões e nove-acentos.

Um dois, feijão com arroz.

Ela.


Saber me fazer sorrir. Cabelo liso. Ela sorri meu sorriso. E com a cor de calça diferente de todos o outros alunos comuns, ela se atreve a criticar meu folk. Apesar de tudo que seus atos avistam parecer, seus olhos são escuros. Ela não é como nenhum de nós, ela sabe me fazer sorrir.


E toda manhã que chego, eu sorrio quando a vejo: Quase sempre começa tão fechada. Ás vezes me distraio com o rosto dela, com as histórias que me conta. Ela cheia de sono me sussurra um "bom dia" e volta a dormir. Ela sonha. Ela não é como nenhum de nós, ela sabe me fazer sorrir.


Mas triste ou feliz, ela me conta quem veio e quem não foi, quem ela fez passar. Quem vai ou não estar. Ela quer saber do meu dia. Dividimos um lanche, eu sorrio de boca cheia. Ela morde a ponta da língua. Ela é especial e sabe disso. Ela não é como nenhum de nós, ela sabe me fazer sorrir.


Ajeito minha bolsa nas costas e sorrio depois de ter conseguido meu beijo de despedida na bochecha. Vou vê-la amanhã.


Ela não é como nenhum de nós, ela sabe me fazer feliz.

sábado, 14 de novembro de 2009

Cow-girl.

Sempre quis cavalgar em um cavalo azul
E também sempre adorei biscoitos de morango
Sempre sozinho em tudo, me encolhia em meu canto
Mas aí eu conheci você

Agora sempre que eu quiser um abraço
Sei que você vai me dar
Vai abrir seus braços pra mim e sorrir
E vou ver aquele pedacinho do céu no seu olhar

Imagino-me agora não tão só
Você vai sorrir pra mim, segurar minha mão
Te vejo com botas de couro e sorriso amarelado
Você e eu, andando em uma verde imensidão

Agora sempre que eu quiser um abraço
Sei que você vai me dar
Vai abrir seus braços pra mim e sorrir
E vou ver aquele pedacinho do céu no seu olhar

E quando agora te vejo triste
Seus lábios se curvam e descem nos cantos
E quando agora nossos planos machucam
Vou ver seu sorriso de promessas e me encher, de encantos

E quem sabe depois do depois
Vou pisar na grama verde e te ver cantando
Do outro lado do campo em um cavalo azul
E uma cesta de biscoitos de morango

Agora sempre que eu quiser um abraço
Sei que você vai me dar
Vai abrir seus braços pra mim e sorrir
E vou ver aquele pedacinho do céu no seu olhar

Nunca vou te deixar cow-girl,
Mesmo que seja difícil de crer
Um dia prometo sentir teu abraço forte
E nossos planos voltarão a ser.

Não despedida.

Eu sei, eu sei. Mas na verdade mesmo, não sei de nada. Sei que muita coisa aconteceu. Muita felicidade, é verdade. Eu te fiz muito feliz, você me fez muito feliz. Abra sua mente pra me entender, estou abrindo a minha pra tentar te explicar. Não houve erros. Sim, tudo aconteceu de forma mágica e única. Eu também nunca vou esquecer, nunca. Só não sei como, de que forma.. Explicar. Em um momento tudo estava no lugar certo e no outro, eu não tinha mais tanta certeza. Diminuiu. Ele diminuiu, e não soube mais o que fazer, me desesperei. A culpa não foi de ninguém. Mas não se aflija, ele nunca vai acabar. Se acabasse, nunca teria sido um amor verdadeiro. Eu só quero que tente me entender, por favor. Pode por a culpa em mim se te fizer melhor, Ás vezes eu sou rude ou simplesmente silencioso. Ás vezes enquanto eu choro, finjo que não leio o que você diz, mudo de assunto. Talvez, a culpa seja realmente toda minha, e eu daria tudo pra saber o que diabos aconteceu. Tudo mesmo. Pra te tirar, nos tirar desse sofrimento que nos mata. Cheguei a pensar em te fazer me odiar, mais isso nos faria sofrer mais: Sofrimento por sofrimento não é uma troca inteligente. Muito menos justa.
Você não fez nada, juro. Você me fez feliz, de uma maneira única, ninguém mais fará dessa forma. O problema sempre foi comigo... Eu nunca, mesmo depois de tudo, NUNCA, cheguei a me sentir o suficiente pra você. Eu me encolhia e chorava quando você não estava, quando sua voz não estava. Me dilacerava, saber que talvez um dia seu abraço nunca estivesse comigo. Fui medroso, covarde. Mas tomei aquela decisão por nós dois, acredito ter sido melhor assim. Mas agora... Sempre que nos vemos, nos falamos, fica tudo assim. Você me fala aquelas coisas e eu sofro, você sofre. Tudo começa a doer, todas as lembranças. Você ainda é parte de mim. Mas é como... Se tivesse mudado de lado, de cor. É como se você fosse uma parte vermelha, mais agora é uma parte azul. Por favor, tenta me entender. Tenta me ajudar a mudar isso tudo, porque está doendo muito. Sempre que nos falamos, eu morro um pouco por dentro. Não estou pedindo pra que você vá embora, NUNCA! Eu te quero sempre aqui comigo, mas nós dois juntos poderíamos diminuir esse sofrimento. Eu estou morrendo por dentro, e você também. E algum dia, não terá mais nada vivo dentro de nós pra morrer.

Me entenda e não se afaste. Por favor. Preciso de você. Só não quero sofrer mais.
Sempre vou te amar.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009



Chego. Arrumo o notebook no colo, me sento embaixo do pé de Jucá. Escrevo.


POIS DIGO QUE TENHO! Todas as palavras, todas as expressões, todas as ações do mundo! E tentarei te oferecer elas. Eu digo que tenho! Lhe direito o infinito que sinto, lhe direito tudo que pressinto, instinto! Minha minha minha minha! Sem esses clichês, de "Oh, não tenho palavras pra expressar o que sinto.." Pura bosta! Te escreverei o máximo que eu puder, o máximo que eu conseguir, o máximo dos máximos mesmo que eu encha isso de mais bosta do que deveria. E se minhas palavras se sujam enquanto escrevo, afirmo que não busco a perfeição: Expressão! Vou agarrar, seja com meus braços ou dentes. Vou gritar, rodar, pular! Minha, és MINHA! Vou entrelaçar nossos dedos e lhe dizer a importância de todo meu amor, de toda essa explosão que sinto dentro de mim. Milhões de fogos de artifício se chocando, o sangue esquentando e pulsando como navalhas ao redor do meu corpo, espalhando. Te prensar, apertar, em mim, minha. Te mostrar a importancia de nosso amor, te beijar.


MAAAAAS... Só depois que eu terminar meu sorvete de baunilha.

domingo, 8 de novembro de 2009

La pergunta?

Eu que sempre fui atrás do sim.
Do agradável. Fiz uma pergunta que merecia um não.
Eu queria o não.

Eu que sempre fui meio assim.
Instável. Eu estava aguardando pelo não.
Por redenção.

Eu esperava ser atrativo a ponto de receber um não.
Eu esperava ter me esforçado, a ponto do não.
Ser merecido do não.
Ser o poeta do não.

Daquele tipo sem versos. NÃO!
Eu recebi meu não.
Foi-se embora meu encosto.
Apareceu-me um sorriso, em meu-me rosto.

("Ainda gosta dele?")

Quanta bosta!

Desce, desce
Olha, olha
Quanta letra, quanta letra.

Leia leia,
trás, descobre.
Minha letra, letra, letra.

sábado, 7 de novembro de 2009



"Não acho. Se você olhar bem a perspectiva, não são as palavras. É a forma."

É a forma. É a forma, o contorno. Dos teus lábios, se alinham e desalinham. Tão belos e cheios.

É a forma. É a forma, que me encaixo em ti, que me braço envolveu tua cintura e não a deixou escapar enquanto você sussurrava pra mim.

É a forma, o jeito. O jeito que te quero e forma como me viste, foi como tudo se foi.Sem nem ir antes pra voltar, recomeço.

É a forma que você simplesmente veio e foi, a forma como me deixou. É a forma como fiquei.

É uma fornalha, que me desforma.

É a forma.


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Tsc, tenho mania de escrever sorriso com "Z".

Sorrizos.


Era uma coruja.
Sim, ela sabia disso.
Mas não era uma coruja comum. Ela também sabia disso. Ela tentara, milhões e milhões de vezes conversar com seus semelhantes, mas eles jamais a haviam respondido. Ela sabia que era diferente, sabia não haver ninguém igual a ela. Sabia falar. Ela sabia falar, mas quase nunca falava. Não tinha com quem conversar. Sabia as horas, pelo sol e pela lua, e sempre foi assim. Conhecia sobre as cores, flores, plantas e gente. E não sabia porque, só sabia que sabia. Falava com o vento e as plantas. O carvalho grande no meio da floresta a avisara, que ela era diferente. Ele era sábio o gentil, esse carvalho. Seu amigo, uma árvore.

Uma vez ela tentou pedir para um garoto humano parar de lhe jogar pedras, não sabia porque ele estava fazendo aquilo. Ele soltou um grito e saiu a correr. Ela sempre entendeu as coisas ao seu redor. Quase tudo. Menos seus semelhantes e os estranhos humanos. Se admirou ao acordar para a vida noturna e se perceber só. Foi atrás de outras corujas, que não lhe deram ouvidos, muito menos companhia.

O sol acabara de se pôr, deixando a floresta entre os rastros de luz e o breu, o fim do dia e o início da noite, aquela hora incrivelmente mutável. A hora do crepúsculo, o começo de seu dia. A coruja adorava aquela hora, era a hora do espetáculo. A primeira coisa que sempre fazia. Abriu suas magestosas asas e caiu, deixando-se deslizar pelo vento gélido. Ela se sentia leve. Apanhou alguns gafanhotos com um vôo rasante, e se posou em sua árvore preferida. Era em frente à cascata de água cristalina, as árvores pareciam abrir caminho para que ela passasse, e não que ela estivesse se intrometendo ali. A coruja se postou e observou, deixando sua maravilhosa visão se prolongar até a magestosa criação humana. Eram blocos de pedra enormes, postados como uma grande proeza entre os dois lados da encosta que parecia feito por obra de um habilidoso bruxo. Era uma espécie de ponte, algo assim.

A visão da coruja tomou um breve tom doce, ela percebeu isso batendo ligeiramente os bicos. Se concentrou mais até chegar à uma das janelas do castelo. E observou.

O homem segurava a mulher pelos cotovelos. Aquilo era errado. A coruja sabia que aquela devia ser uma condessa ou algo assim, por suas roupas. E também sabia que ela era comprometida. Na noite passada, a mesma mulher havia chegado e tinha uma recepção pra ela. Muitos comes e bebes, animais mortos com um tipo de essência de calor flutuando sobre eles. Pareciam ser boas vindas. O homem apertou com força a mulher, a coruja soltou um piado ao sentir que aquilo era errado, muito errado. A mulher tentou gritar, abrindo a boca. Foi encostada na parede, prensada. Mas sua boca não estava mais tapada, ela poderia gritar, mas não o fez. Virando o rosto pro lado, vibrando de curiosidade, a coruja percebeu a mulher fechar seus olhos e gostar daquilo.

Sem nada a fazer, ela observou os movimentos e as roupas caírem. Ela lembrou no meio de todo aquele alvoroço, que aquele homem era quem limpava as janelas. Ela o via sempre, desde que se lembra. E era errado eles estarem ali entrelaçados no chão de uma das janelas que ele limpava. Relembrou também, o garoto que o jogou pedras um dia. Sim, era agora o limpador de janelas da construção magnífica. Estava tudo errado. Mas a mulher nao estava mais se importando, ela apenas mordia os lábios.

Mas logo houve um alvoroço. A coruja deslizou bem pouco seu olhar, bem pouco e pode comtemplar a janela do outro lado. Muitos guardas, andando na direção dos dois. Indo na direção daquela janela, a única em que não podiam estar. A coruja soube o que aconteceria, mas ficou em seu lugar. Não deveria interferir.

Virou o rosto pro outro lado, se distraindo com a bela floresta que aos poucos anoitecia e ganhava vida.