Fui decidido e cantante. Cheio de muitos porquês. Não havia chuva, não havia vento, nao havia calor ou frio. Só havia meu sorriso no meio da rua tão distante de casa, me mostrando o que eu deveria fazer. Eu estava atrás da história perfeita. Uma feliz, cheia de gente sorrindo e fazendo bolinhos, as mães acariciando seus filhos e lhes mostrando os valores nutricionais da cebola e do brócolis. Uma senhora de vestido amarelo olhou pra mim com estranheza ao ouvir minha risada, eu escondi meu rosto quente no caderno.
Ceeeeeerto. Algo romântico! João e Bruna em uma sacada prometendo amor eterno um ao outro. Mais uma risada bem alta minha e a velha senhora se levantou temerosa e passou a andar, pra bem longe de mim, pelo visto. Continuei sentado, observando que a minha risada a havia espantado. Ou minha expressão levemente diabólica, atrás de uma vida para fuçar e achar algo válido para tomar nota.
Olhando pros lados, sem nada o que fazer. Um carro de sorvete passou sem pressa pelo sinal aberto e quase que o asfalto quente ganha gosto de chocolate, morango e coco...
"Era uma vez, ela. Ela tinha gosto de chocolate, morango e coco e também fazia..."
Amassei a pré-diarréia mental sem muita pressa, meu olhar quase homicida ameaçando o ambiente ao meu redor se eu não conseguisse uma boa história. Vasculhei minha bolsa e encontrei uma infalível barra de cereais. Quando elas não realmente me inspiravam, elas enganavam a fome, e NOSSA, eu estava com muita fome.
"Ele estava com fome, fome de amor. Pobre moribundo, que o coração roncava, o peito chorava e dissipava sabor. Morango, chocolate e coco! Venham pegar um pedaço dele, que mal se espelhe, cheio de ardor..."
Ridículo. Eu precisava de treino, ou de algum acidente cerebral ou simplesmente de.. Algo inusitado. Não entendi direito o olhar que as pessoas me lançavam, peguei meu caderno e com a bolsa meio aberta comecei a andar pela praça. Alguns gordinhos fazendo cooper e mulheres lindas atrás da perfeição me olhavam torto. Ou eu estava bem noiado, tsc. "Sequela é consequência." Fui andando de volta pra casa, desesperançoso. Nada de legal no caminho, uma andorinha ou sei lá que pássaro era aquele passou com um vôo rasante sobre mim. Peguei em meus cabelos desesperado tentando saber se a mesma havia deixado algum presentinho em sua passagem. Não, ainda bem. Eu estava com os cabelos bem bagunçados, talvez isso tenha provocado tantos olhares.
Bufei, bufei. Entrei em casa em pânico, talvez eu jamais conseguiria escrever novamente. Não parecia tão ruim assim. Fui me olhar no espelho, fiquei olhando como eu ficava na blusa que o Léo me deu, parecia que caia bem em mim. Em meu quarto, exercitei o hábito mais rotineiro que me lembro de fazer, tirar o calção. Mas.. ONDE ESTAVA O MEU CALÇÃO?
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Lost. Minha alma. Abraços fortes. Uma confusão trivialmente mórbida, quanta coisa que fiquei sem entender. O trem passou rápido, a folha de caderno foi solta pela janela e a alma das letras se fundiu com o vento, criação nua. Eu não queria mais, minhas lágrimas começaram a cair inchadas por meus olhos cheios. Mórbido, suado. Dou risadas altas agora, observando as nuvens nos céus formarem a letra. Com tanta distorção. Os passos se tornaram apertados, a senhora fechou mais o sobretudo pra tapar suas vergonhas, se proteger da água que parecia a castigar, ou acanlentar com amor, mas coberta por ódio, tirou o telefone celular e o atirou na terra molhada, ali as vozes guardadas soaram e plantaram, as ervas maldosas. Si-lên-cio.
Atento.
Disperto.
Atento.
Sento.
Atento.
Disperto.
Atento.
Sento.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Tente.
A mente crente sente o quente, extremamente doente. Os olhos que já viram tanto, as feridas que jamais irão sarar. Os laços negros da fita cassete se enrolam e costuram o coração, retrato. Memória avaliada, cagada e cuspida se alimenta disto, a cadeia alimentar com novas classificações. Quem olha ri, e os olhos que já viram tanto, ficam abertos como se fossem de um morto vivo, um vivo morto, por aquilo que todos desejam e todos tem, que todos jogam fora e todos vão atrás.
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